domingo, 11 de janeiro de 2009

vícios? 2

(Há um intrigante e delicioso cheiro a café no ar. De onde vem? E qual a misteriosa história que esse odor encerra em si?)

Um cheiro, um toque, um beijo... Tudo pode se tornar viciante.
- Quero café. Estava em frente à cafeteira, tentando esquecê-la (na verdade, tentando esquecer que devo esquecê-la, de fato, não sou homem suficiente para tanto). Sabe, café me faz lembrá-la, enquanto o bebo esqueço do café, me transporto para seus lábios e lá estou eu: dançando, segurando a xícara como porcelana. De porcelana, quis dizer, mas seguro-a como se a qualquer momento estivesse para quebrar, deliciando-me sobre sua delicadeza. Porcelana também me faz lembrá-la. Sua pele igual ao último toque, fria e cálida, tentadora e divina. Não suporto estar longe dela, não faz muito tempo, mas tempo o suficiente para torturar-me. A vaga lembrança de que ela voltará me faz tremer. Entusiasmo-me só em lembrar que seu cheiro invadirá minha alma. Entusiasmo-me em lembrar de tardes vagando em perfumarias, alternando-me entre aromas e o cheiro do café e o cheiro de sua pele. Entusiasmo-me em pensar que ao entardecer iremos para casa e mais tarde dormiremos. Juntos. E o gentil odor que sinto ao acordar, abraçando-a, beijando sua nuca e protegendo-a, é como se ela fosse minha para sempre. E é. Acordo-a com o café, naquela xícara de porcelana que possui seu nome e o meu e o coração que une a ambos. Com o cheiro ela se levanta e eu a bebo, novamente, eternamente.

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